Um dos meus interesses mais recentes é a fotografia. Começou devido a alguns reais que estavam sobrando na minha carteira enquanto olhava revistas na Escariz. A capa extremamente colorida da edição junho/julho da revista PhotoMagazine chamou a minha atenção. Decidi apostar o restante da minha mesada em uma revista sobre fotografia.
Não esperava me ver tão presa àquelas páginas. Justamente eu que passei sofrivelmente nas avaliações do curso de fotografia da minha grade curricular. Não somente um mas diversos trabalhos, apresentados na revista por diferentes fotógrafos, chamaram a minha atenção. Inicialmente, para quem não tem a mínima noção do tema, o mundo dos fotógrafos parece ser um idílio maravilhoso repleto de aventuras, belezas, viagens e uma mochila nas costas. Nada mais maravilhoso. Nada mais enganoso.
Passar a me interessar por fotografia não mudou o fato de que sou uma péssima fotógrafa. Estou para as máquinas de fotografar assim como Stephanie Meyer está para Stoker – distante e sem saber como s e aproximar . Mas, aos poucos, pretendo mudar essa relação.
Como quem não quer nada, tirei apenas uns dois dias para sair fotografando por aí com minha máquina digital comum. Claro que não obtive nada de genial, mas meus resultados me ajudaram a ver e perceber coisas que meus olhos, com lentes corretoras de um grau e meio de miopia, não enxergavam.
Particularmente, aprecio os flagrantes que algumas fotos e os mestres por trás delas conseguem captar, como é o caso de Cartier-Bresson. Essa foto foi uma das primeiras que tirei. Sentada em um banco, engolindo todo o campo visual a minha volta, quase deixei passar despercebida essa imagem. Em meio à profusão de coisas que nossos olhos podem ver simultaneamente, a particularidade de cada uma delas comumente não é notada. No entanto, a intenção de bater uma foto deixa a nossa mente mais alerta para a questão do enquadramento e passamos a perceber cada objeto separadamente dos demais. Foi assim que, passando a vista pelos prédios da Av. 13 de julho, percebi um homem que subia pelas paredes de um deles. Mais detalhadamente, um pedreiro sentado em um andaime, com a poesia emprestada de alguns raios de sol. Ou – por que não – um Edmund Hillary enquanto escala o Everest.
Gosto muito de jogos de perspectiva em fotografias. É uma forma de estar sempre reciclando o olhar e desacostumando-o do convencional. A fotografia é uma das melhores formas de se realizar isso já que, quando uma foto “congela” determinado momento, ela permite que esse mesmo momento possa ser observado de diversos ângulos e formas.
A única coisa que me vem à cabeça é um Zezé travesso brincando com seu pé de laranja-lima do outro lado da cerca.
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