Extravasa, Publicidade

UMA NOVA VISÃO SOBRE AS MÍDIAS

“E extravasa”. Em meio à cultura popular brasileira (e não sei porque fui catar justamente nela, talvez seja ressaca mental do carnaval), essa frase incansavelmente repetida por Cláudia Leite é a que melhor resume a atividade publicitária dos dias de hoje.

A quantidade de experiências sensoriais às quais estamos constantemente submetidos é espantosa e chata. A maioria delas nos passa despercebida por mais que leiamos livros de auto-ajuda dizendo para se aproveitar bem a vida. As agências de publicidade, querendo aproveitar bem a vida e as vendas, não somente concordam com os tais livros como fazem melhor: proporcionam experiências de vida cada vez mais singulares. E isso com o mérito da quebra do velho padrão McLuhan.

Muitas ações de publicidade agora enxergam “o que dizer” e “como dizer” enquanto aspectos praticamente unificados da mensagem publicitária. Não que antes as mídias e veículos de comunicação não fossem pensados cuidadosamente como parte de uma estratégia mais eficaz para atingir esse público-alvo ou transmitir aquela idéia. Mas agora as mídias são a própria idéia e, assim como esta, devem ser cada vez mais originais, extravasando os limites do real, do comum, do inusitado e do pessoal. Exemplos não faltam. A recente campanha feita pela BBDO canadense da bebida Tropicana, que acendeu um enorme balão de luz na cidade ártica de Inuvik, onde a luz do sol não era vista há 31 dias, e a bebida foi distribuída entre os que se aglomeraram. Ou então a ação de marketing da T-Mobile que dispôs diversos bailarinos em uma estação de metrô onde começavam a dançar e convidar as pessoas para acompanhá-los porque, segundo seu slogan, “a vida é melhor quando compartilhada”. Também não podemos esquecer de Gisele Bündchen sentada em um sofá vermelho no meio de um aeroporto em São Paulo, assistindo aos canais da Sky HDTV  em idéia da Giovanni+ DraftFCB.

(Campanha da bebida Tropicana na cidade de Inuvik que não via o sol há 31 dias) 

Em todos os casos, enquanto ação inaugural, meios de comunicação em massa como TV, rádio ou internet foram descartados em prol de uma mídia única, especializada para a situação, o produto e a experiência pessoal daqueles que se encontravam presentes na hora e na divulgação certa. Assim, como esquecer aquela luz no meio da noite que iluminou as salas de aula de Inuvik? Ou todas aquelas pessoas dançando divertidas no meio do metrô onde está todo mundo sempre ocupado e apressado? Talvez seja uma comparação meio pesada, mas válida: é como esquecer o 1º sutiã. Claro que, pelo menos nos casos aqui citados, mídias posteriores não foram descartadas, especialmente filmes para a TV. Só que isso já é considerado uma espécie de conseqüência da ação principal, como o boca-a-boca das pessoas e os vídeos no YouTube.

Mas há um porém nisso tudo. Essas ações de marketing e publicidade, interessantes, poéticas e inesquecíveis, podem não contribuir realmente (por real, entenda-se em números) para uma maior venda dos anunciantes. Muitas das pessoas que acompanharam os fatos de perto passarão a ter uma imagem de valor ou conceito agregado àquela marca em suas mentes. Mas, provavelmente, ela não será a escolhida em um supermercado se comparada a outras de qualidade similar ou preços mais baratos. A marca será a mais lembrada mas, não necessariamente, a mais vendida. Pelo menos não a curto prazo. Portanto, acredito que essas novas formas de mídia atuem de forma mais institucional do que promotora de vendas em si. Argumento que, em nenhum momento, retira o mérito dos anunciantes e agências por ousarem métodos diferenciados e inovadores já que são muitas as vantagens, mesmo que a longo prazo. Melhor percepção da marca, agregação de valores, divulgação boca-a-boca são apenas algumas delas, sem falar da presença marcante na vida do consumidor. E tudo isso a um baixo custo e alto impacto, dependendo do tipo de ação.   

Como todas as campanhas de divulgação realizadas pelas agências de publicidade são a sua própria forma de divulgação, podemos considerar que essas novas mídias trazem uma imagem mais humanitária para essas “capitalistas exploradoras” que dizem ser as agências de propaganda. No caso de Inuvik e seu sol artificial, sem dúvida as pessoas se sentiram beneficiadas e agradecidas, em primeiro plano (eu acho), à Tropicana e, em segundo, a quem quer que tenha tido aquela idéia. Os clientes atuais e futuros das agências reconhecerão isso assim como pessoas comuns que assistiram ao comercial de TV ou ouviram falar do fato.

E é assim que surpresa, diversão, o cool e a experiência pessoal se unem no ato supostamente mais sórdido do capitalismo que é a venda com o intuito do lucro. E mesmo que seja, não há nenhuma conseqüência negativa para as pessoas nisso. Parafraseando uma das grandes visionárias desse processo: o que as agências querem é ser feliz contigo (cliente ou consumidor do cliente) e mais algumas vendas.

Viagem a Portugal

VISLUMBRES  DA PUBLICIDADE PORTUGUESA

Em agosto do ano passado, viajei para Portugal com minha família. Conhecemos Lisboa, Porto, Coimbra e pequenas cidades como Aveiro e óbidos. Essa foi a primeira vez em que pude ter, na prática, um vislumbre da publicidade internacional. Por termos seguido um roteiro muito corrido, só parávamos no hotel para dormir e, portanto, não pude observar muitos anúncios de TV. Mas eu sempre dava uma olhadinha nos outdoors ou cartazes enquanto andávamos pela praça Marquês de Pombal ou pelo Bairro Alto de Lisboa.

Era época de eleição para presidente, se não me engano. Pude observar diversos outdoors de partidos e seus candidatos concorrentes à presidência do país. São em pequenos detalhes como esse que você começa a perceber as primeiras diferenças entre um país politicamente desenvolvido e um que ainda não sabe o que é a política. Nos anúncios o foco era a exposição de idéias do candidato, de algum questionamento à política vigente ou de suas futuras realizações caso fosse eleito. Na campanha de um partido, os outdoors mostravam um fundo branco com as letras pretas “É JUSTO DAR COMPENSAÇÃO MÍNIMA PARA QUEM NÃO QUER TRABALHAR?”. Sem imagens ou fotos de candidatos, apenas com a logomarca do partido, no canto inferior direito, e o slogan: “Nós ouvimos você”. Ou algo muito parecido. De qualquer forma, são extremamente diferentes dos anúncios de política brasileiros que estampam a cara imensa do candidato ao lado de uma frase utópica como “Pra frente, Brasil”, sem o mínimo interesse em clarificar as idéias e propostas daquele, que caso ganhe a eleição, deverá pô-las em prática. Para justificar esse fato de uma forma menos dura, eu gostaria de dizer que é culpa da propaganda brasileira, mas acredito que, de uma forma geral, esteja mais relacionado ao povo brasileiro e seu parco interesse pela política do país. Poucas pessoas iriam parar para ler propostas de governo em um outdoor, retê-las na memória até chegar em casa e analisá-las de forma crítica.

O que mais me chamava a atenção eram os textos dos anúncios, um fato que pode ser considerado parcial se observado que a minha área de maior interesse é a redação publicitária. Os portugueses possuem um forte espírito nacionalista e essa característica é constantemente explorada nos textos publicitários de lá. A campanha do Mastercard, aquela clássica do “não tem preço”, salientava as expressões lingüísticas portuguesas. Por exemplo, um anúncio mostrava um homem levantando um carro com a ajuda de um macaco, o animal mesmo. Embaixo, o texto dizia: “Só nós podemos levantar carros com macacos. Saber que há coisas que são só portuguesas, não tem preço.” O mesmo ocorria com outras expressões locais como a palavra “bucha” que também pode significar sanduíche.

Anúncio do Mastercard

Anúncio da campanha do Mastercard em Portugal

Não fiquei muito impressionada com a direção de arte das propagandas de Portugal. De certa forma, estou generalizando, já que falo isso embasada no conhecimento que tive da rápida visão de outdoors de algumas poucas cidades. A única propaganda que, para mim, realmente se destacou em relação ao seu visual foi o anúncio de uma loja de variedades, “El Corte Inglés”, famosa em Lisboa. Uma das coisas mais típicas do país e que pode ser reconhecida em qualquer lugar do mundo como proveniente da cultura portuguesa são seus famosos azulejos pintados em azul. Mais uma vez, o forte nacionalismo se fez presente na propaganda ao mostrar uma modelo usando um vestido feito desses azulejos, com um efeito de vento e movimento bem clássico. Em cima, em letras azuis, podia-se ler “BEM-VINDO. Aonde a moda é tradição”. Essa conquistou o meu coração.

El Corte Inglés

Anúncio da loja El Corte Inglés, em Portugal

 

“Existe um local onde a moda e os acessórios assinados pelos melhores estilistas se transformam em valiosas memórias…

El Corte Inglés.

 Onde o prazer de comprar é uma tradição.”

Avatar

Um mundo novo repleto de coisas antigas

 O filme Avatar, dirigido e escrito por James Cameron (mesmo diretor de Titanic), ao mesmo tempo em que surpreende com uma iluminação ofuscante, cores vivas e efeitos extremamente reais, causa uma certa sensação de déjà vu.

Grande parte do sucesso do filme foi resultado da criação de um mundo físico, palpável, através de efeitos digitais surreais. As paisagens são de tirar o fôlego e os seres do planeta são meticulosamente criados. Tudo em Pandora parece bastante real e pertinente à verossimilhança do filme. Os cenários são maravilhosos sem tirar o foco do plano de ação do filme. Nas palavras de uma leiga em efeitos especiais: me encantei com o visual do filme. Apesar disso, a fotografia não foi muito genial.

A idéia principal do roteiro também chamou a minha atenção. A realização física e psicológica de um ser humano através da conexão com um ser pertencente a outro tipo de vivência – muito mais interessante para a personagem Jake Sullivan do que o seu mundo “real” – é, na verdade, um fato comum.  O mundo dos videogames proporciona essa sensação a milhares de pessoas que não se contentam com uma única realidade, divergente dos seus anseios. Até mesmo pequenos desejos de modificação pessoal, como ter um nariz menor ou ser mais rico, nos permitem criar uma realidade ideal na qual somos exatamente do jeito que queremos ser, ou seja, um avatar. Em meio a um enredo fictício, desenvolvido para todos os tipos de públicos, o longa-metragem abordou esse tema de forma bastante realista.

No entanto, quando tudo está certo, algo errado pode acontecer. Em meio a efeitos computadorizados perfeitos e a uma idéia inicial muito interessante, a história do filme aconteceu. Nada mais lugar comum. Um romance entre Pocahontas e John Smith, uma divisão clássica entre estereótipos do bem e do mal (e adivinha quem perde?). O velho contraste entre tecnologia e natureza e, para finalizar, um “felizes para sempre”, apenas conturbado pela morte ocasional de alguns personagens secundários do “bem”.

Além disso, o roteiro também falhou em outra questão. O conflito pessoal de Jake ao se ver pertencente a duas realidades diferentes, e praticamente intocáveis entre si, foi pouco desenvolvido. Pode-se perceber apenas a sua clara preferência pelo mundo dos Na’vi devido ao romance com Neytiri e ao retorno da sua capacidade de locomoção. Uma vida completamente nova é realmente excitante. Mas, ao mesmo tempo, acredito que mais aspectos da vida humana da personagem principal deveriam ser mostrados como, por exemplo, lembranças ou flashes de toda uma pré-existência que não poderia simplesmente ser relevada. Na verdade, ao longo de todo o filme, o lado humano foi pouco mostrado e, dentro de pedacinhos avulsos, ele foi apresentado como algo ruim, predatório e destruidor. Apenas algumas personagens mostraram-se “boas” e foram mortas no final. Já os Na’vi foram cultuados como seres perfeitos, sem rancores e raivas entre eles ou qualquer outro tipo de defeito. Olhando por esse ângulo, realmente, Jake tem razão. Por que não viver para sempre em Pandora, em meio a um povo tão moralmente perfeito, ao contrário dos pérfidos seres humanos? Nesse ponto, o roteiro apresentou um contexto contaminado de parcialidade, embasado em uma classificação preconceituosa e separatista de dois grupos.

Em suma, as imagens, a ação, os efeitos especiais e a idéia central do roteiro fazem de Avatar um maravilhoso videogame hollywoodiano. Enquanto filme, acredito que já havia visto isso antes em um desenho da Disney, embora John Smith não tenha se transformado em um índio no final.

Do nada… a fotografia

Um dos meus interesses mais recentes é a fotografia. Começou devido a alguns reais que estavam sobrando na minha carteira enquanto olhava revistas na Escariz. A capa extremamente colorida da edição junho/julho da revista PhotoMagazine chamou a minha atenção. Decidi apostar o restante da minha mesada em uma revista sobre fotografia.

Não esperava me ver tão presa àquelas páginas. Justamente eu que passei sofrivelmente nas avaliações do curso de fotografia da minha grade curricular. Não somente um mas diversos trabalhos, apresentados na revista por diferentes fotógrafos, chamaram a minha atenção. Inicialmente, para quem não tem a mínima noção do tema, o mundo dos fotógrafos parece ser um idílio maravilhoso repleto de aventuras, belezas, viagens e uma mochila nas costas. Nada mais maravilhoso. Nada mais enganoso.

Passar a me interessar por fotografia não mudou o fato de que sou uma péssima fotógrafa. Estou para as máquinas de fotografar assim como Stephanie Meyer está para Stoker – distante e sem saber como s e aproximar . Mas, aos poucos, pretendo mudar essa relação.

Como quem não quer nada, tirei apenas uns dois dias para sair fotografando por aí com minha máquina digital comum. Claro que não obtive nada de genial, mas meus resultados me ajudaram a ver e perceber coisas que meus olhos, com lentes corretoras de um grau e meio de miopia, não enxergavam.

Poesia Emprestada

Particularmente, aprecio os flagrantes que algumas fotos e os mestres por trás delas conseguem captar, como é o caso de Cartier-Bresson. Essa foto foi uma das primeiras que tirei. Sentada em um banco, engolindo todo o campo visual a minha volta, quase deixei passar despercebida essa imagem. Em meio à profusão de coisas que nossos olhos podem ver simultaneamente, a particularidade de cada uma delas comumente não é notada. No entanto, a intenção de bater uma foto deixa a nossa mente mais alerta para a questão do enquadramento e passamos a perceber cada objeto separadamente dos demais. Foi assim que, passando a vista pelos prédios da Av. 13 de julho, percebi um homem que subia pelas paredes de um deles. Mais detalhadamente, um pedreiro sentado em um andaime, com a poesia emprestada de alguns raios de sol. Ou – por que não – um Edmund Hillary enquanto escala o Everest.

O Caminho de Troncos Amarelos

Hélice

Gosto muito de jogos de perspectiva em fotografias. É uma forma de estar sempre reciclando o olhar e desacostumando-o do convencional. A fotografia é uma das melhores formas de se realizar isso já que, quando uma foto “congela” determinado momento, ela permite que esse mesmo momento possa ser observado de diversos ângulos e formas.

Documento

Arco-íris

A única coisa que me vem à cabeça é um Zezé travesso brincando com seu pé de laranja-lima do outro lado da cerca.

Brecha para...

 

Somente uma foto engraçada dos gatos da minha professora de francês. (Pus Pus e Jerry – o flagrado)  

O Flagra do Gato

Só para constar, nenhuma dessas fotos foi minimamente alterada já que meu photoshop não é muito genial. A maioria delas saiu com uma boa iluminação, o que já quebrou um galhinho…

Do Nada…

… uma idéia, um desejo, uma vontade de mudar, aquela fome repentina. E há quem ignore a importância do Nada em nossas vidas. Na verdade, de alguma forma inexplicável, ele acabou sendo associado a uma negação – Nada virou apenas um antônimo de todas as outras coisas. Mas essa sua universalidade deveria ser vista justamente como a prova de que ele não representa, necessariamente, um vazio relacionado à falta de algo. O Nada é fértil. Ele origina, gera, cria. Tudo o que não existe pode passar a existir a partir do vazio. E, quando existe, ocupa o seu lugar de direito no Nada.

Putz… acho que, do nada, comecei um blog.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.